segunda-feira, 14 de março de 2016

Sobre o menino das incertezas

Tino é um menino muito esperto. 

Nos dias de muito sol ele adora sair pelos vales de amendoeiras e cheirar jasmim. 
Mas Tino sempre sai e não avisa quando volta. 
Se dana pelas estradas que se formam entre as testas dos desavisados. 
Franzidos pela busca de Tino. 
Não é só pelas manhãs que Tino se pica nos arredores da vizinhança, bagunça os cabelos e as saias das donas Margaridas, em suas amargas vidas. 
Antes de virar cisco, às vezes ele pede chá de sumiço, bebe igual a Zé da venda da ladeira de Virgulina, que vira o copo de cachaça dizendo que quer voar como andorinha. 
Ahh, Tino, imitão! 
Ninguém mais liga se Tino sumir... porque o povoado já inventou mais Tino pra guardar na caixola. 
Eu, particularmente, gosto do leve instante de euforia e caos que paira pelo vale quando descobrem que o Tino sumiu. 
Vão dizer que ainda não achei o Tino. 
Mas vou dizer uma coisa...

Às vezes perder o tino é a melhor coisa da vida.




(Desenho de Manoel de Barros)

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