sexta-feira, 21 de agosto de 2015

Quantas Marias mais?



Vale do Jequitinhonha 
Vale do Jiquiriçá
Nau da moça que sonha
Mar do mais tardar

Vivência de luta
acordo de eternidade
Canções de roda
no chão da cidade

Duas crias, frias
Vã mulher, vã pelo mundo
distante do seu perfeito
de sorriso raso, não profundo

Sorriso de dia a dia
Choro de noite a noite
A sobreposição da sinestesia
do grão feito de açoite

Quantas Marias mais
Dentro dos vales?
Quantas marias faz
o oposto do tal baile?

À beira do mar, do rio
À beira do cais, do frio
Do cheio, do meio e do vazio
Das beiras da emoção vivida.

Do cheiro sentido
do sexto sentido
no universo perdido
de entradas, trancas e saídas.

Maria vive de esperança
Vive pra cima, pra frente
Carece de vida, mudança
No seu real sol poente

A obtusidade do seu mundo
Transforma seu coração
Braços fortes, fé amolada
Nos becos, na luz, na mão

Quantas Marias mais
Vagam por becos, cabanas?
Quantas Marias em paz
Nos fins de suas semanas?

É MARIA assim
ou maria assado?
Das noites quentes
Dos dias gelados.

Quantas Marias mais
Serão poesia de choro?
Quantas Marias mais
Serão músicas de novo?

Quantas Marias mais
gerarão Miltons e Josés?
Quantas Marias mais
Do mundo, aos pés?

E quando Maria jaz?
O filho Brasil junto vai
Pra vida no vale do dia
Pra onde o chão não fica, cai.

Poesia inspirada na música Maria, Maria, de Milton Nascimento.




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