sexta-feira, 3 de janeiro de 2014

Entre pés da alma, calos de poesia




Pés dizem tanto...
Esse membro 
Monótono possui marcas temporais da existência.
 Como o calo de uma noite festeira.
Do necessário uso diário da roupa de que se veste.
Seja ela o próprio corpo envolvido pelo mistério e nudez.

Calçados são tapeações 
Pra admitir que o que realmente se calça não são os pés,
Mas a caminhada traçada
Por obstáculos a serem enfrentados
No mais pífio dos dias.
Olhá-los me faz discernir que me revelam.
Descrevem-me.
Desmascaram-me da cabeça aos mesmos.
Reflete o mais claro de minha alma.

Pensar em meus pés como guias 
É considerar a simplicidade que envolve minhas trilhas.
Gosto da ideia de que são reflexos do meu ego, que me conduzem.
Mas gosto ainda mais da notoriedade que os cerca.
 De vê-los sem faces, peles, sem máscaras.
Repletos de calos, cicatrizes e feridas.
Como meu ser.

Mas sempre de olho no que vem,
Na tenacidade de que preciso para transcorrer os entraves e pedras.
E sempre em frente.

4 comentários:

  1. Boa construção, Ailla. Grande abraço...

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  2. Que reveladora metáfora, que texto bem lapidado! Parabéns!

    Adoraria uma visita ao meu singelo blog:

    http://leigopoeta.blogspot.com.br/

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    Respostas
    1. Gratidão, Vitor! Farei sim essa visita... Abraço!

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